MAX
OLIVETE
SOBRE
Max Olivete (1985, Rio de Janeiro) vive e trabalha na cidade onde nasceu. Mestre em Linguagens Visuais pelo PPGAV-UFRJ, desenvolve uma investigação pictórica centrada na experiência urbana e nas paisagens da periferia latino-americana, compreendidas não como tema ilustrativo, mas como campo sensível e estrutural de pensamento.
Em sua obra, a paisagem não é pano de fundo — é protagonista. No entanto, trata-se de uma paisagem atravessada por uma estranha condição: a presença da ausência. Raramente vemos figuras humanas, mas tudo indica que alguém acabou de partir. Um portão que permanece entreaberto, a rua silenciosa após o ruído, o trilho que ainda parece vibrar. Há sempre um vestígio, uma marca, uma suspensão.
Max constrói cenários onde o tempo se deposita como matéria. A fuligem, elemento recorrente em sua pesquisa, não opera apenas como escolha cromática, mas como índice simbólico e físico da combustão urbana — resíduo do trabalho, do trânsito, do desgaste cotidiano. Ao incorporá-la à superfície, o artista inscreve na pintura uma memória material da cidade, como se cada plano carregasse a fricção de corpos que por ali passaram.
Se a tradição da paisagem esteve historicamente associada à contemplação, aqui ela se apresenta como experiência de latência. Os fios que cortam o céu, os muros marcados, os vazios entre construções, os trilhos que atravessam o quadro instauram uma atmosfera de iminência. Algo aconteceu — ou está prestes a acontecer. O espectador é convocado a ocupar esse intervalo.
Sem recorrer ao dramatismo fácil ou à exotização da periferia, Ele elabora uma poética da contenção. Suas pinturas não gritam; elas persistem. São espaços onde o silêncio é denso e onde a ausência humana se converte em força narrativa. Ao final, não contemplamos apenas uma paisagem — somos atravessados por ela, como quem percebe, de súbito, que a cidade continua ali, respirando, mesmo depois que alguém saiu de cena.
Martha Ortiz.
Exposições:
Individual
2019
- É FIM DE LINHA, É FOGO, É FODA! – Galeria Macunaíma, RJ.
Coletivas
2011
- BRANCO BÁSICO - Espaço Vórtice EBA/UFRJ, RJ.
2012
- Exposição dos alunos do curso de fundamentação – EAV/Parque Lage, RJ.
2015
- COMO SER CIVILIZADO - Estudio Dezenove, RJ.
- RETALHOS – Canto da Carambola, RJ.
- So.Ma. Soda Aw convida Max Olivete – Atelier 251, RJ.
2016
- #FestaDePintores - Fábrica da Bhering, RJ.
2017
- PROXIMAL – Galeria KM7, RJ.
2018
- STEDELIJKE VERBINDINGEN – N.O, Bélgica.
2019
- PATIFARIA! – Corredor Azul – Reitoria/UFRJ, RJ.
2020
- PATIFARIA II! – Espaço Poético Titocar, RJ.
2022
- Ver-Ão Sal-Ão - Oasis Centro Cultural, RJ.
- Paradoxos da Paisagem: Ações e Processos - Galpão Pós-EBA, RJ.
2023
- Quadrantes da Miragem - Ateliê 31, RJ.
- Mancha - Piccola Arena, Petrópolis, RJ.